Relatório de Práticas de Ensino - Sétima Atividade – 14/09/2010
Diogo dos Santos
Atividade: Corrente de Convecção
Descrição da atividade:
A entrada na escola foi tranquila desta vez. Então pude chegar mais cedo ao laboratório e arrumar o experimento antes que os alunos chegassem ao local, o que facilitou bastante, pois pude organizar os materiais para cada grupo e verificar o que estava faltando. Desta forma foi possível perceber logo o problema com os materiais desta atividade: o termômetro não era adequado para a experiência, já que o tamanho do seu capilar era maior que o orifício ao qual esse seria introduzido. Assim não foi possível verificar a temperatura da água enquanto o experimento ocorria. Outra observação a ser feita referente ao este fato, é que possivelmente, o termômetro de mercúrio (que foi o enviado) não seria eficiente para este tipo de experiência, uma vez que não seria possível, julgo eu, perceber o aumento da temperatura no ramo ao qual a água passaria. Talvez a melhor opção seria um termômetro digital.
Mas esta incerteza e o equívoco que ocorreu pode ter sido ocasionado por conta da oficina que precedeu a minha ida à escola. Quando compareci para realizar o experimento, não havia termômetros no laboratório didático. Então, realizei o experimento sem a utilização do termômetro, não sendo possível remediar este quesito e alertar para o envio adequado dos materiais a serem utilizados na escola. Assim, mostra-se que a realização do experimento na oficina e sua discussão antes da ida à escola são importantes para percebermos equívocos como este citado acima.
Tendo isto em mente, conversei com a professora e expliquei o problema e que a falta do instrumento não iria interferir muito na realização do experimento, apenas não seria possível medir a temperatura enquanto o processo transcorria.
Ela me informou que havia realizado este experimento no ano passado, mas que agora estava muito diferente e bem melhor para a visualização do fenômeno. Quando os alunos entraram no laboratório a professora deu uma explicada do fenômeno que seria explorado na atividade e que tal tema seria retomado posteriormente nas aulas teóricas e que então eles precisavam prestar atenção na experiência para depois discutirem melhor.
Como só havia duas bisnagas de água e uma de corante, a professora foi passando de grupo em grupo enchendo com água o “vidro retangular” (o suporte de vidro ao qual seria colocado água) e eu passava com o corante e explicando aos alunos o que deveria ser feito. A caixa de fósforos foi revesado entre os grupos para acender as lamparinas. Num primeiro momento, os grupos se sentiram um pouco mais animados neste experimento em comparação aos anteriores, talvez por conta de trabalharem com fogo. Porém, eles se surpreenderam mais quando o corante começou a circular no sentido anti-horário e depois se misturava com a água, passando de uma mistura heterogênea para uma substância homogênea.
Conforme a lamparina aquecia a água no interior do suporte, um dos grupos (o primeiro que havia acendido a lamparina) observou a água saindo pelo orifício lateral como se fosse um gêiser. Quando eles demonstraram surpresa com o ocorrido, os demais grupos perguntaram como que eles fizeram e tentaram fazer parecido. Quando eles observaram tal fenômeno, vários alunos quiseram repetir a atividade para verem novamente o deslocamento do corante na água e a “erupção”.
Conforme o tempo foi passando, um dos alunos me perguntou o que aconteceria se eles colocassem a lamparina do lado oposto ao qual eles haviam posto anteriormente. Então disse para que ele tentasse. O grupo então observou que a “erupção” ocorria mais rapidamente.
Muitas perguntas feitas pelos alunos foram sobre o porquê o corante se deslocava. A professora e eu passamos nos grupos para tentar explorar mais este assunto com os alunos e ver se eles conseguiam pensar sobre com base no aumento de temperatura da água. Talvez se tivéssemos os termômetros digitais seria menos abstrato conversar com os alunos neste ponto. Eu tentei explicar o fenômeno fazendo uma analogia com a água fervendo numa panela, fazendo-os lembrar (ou mesmo contando a eles o que ocorria) que quando aquecemos uma panela no fogão, a parte debaixo é a mais quente, pois está em contato direto com a chama, e que conforme o tempo passa, a água localizada no fundo ia para a parte superior, e a água localizada nesta região (que estava numa temperatura menor) migrava para o fundo, surgindo assim um ciclo, ao qual nomeamos como corrente de convecção.
Para tentar explicar o motivo pelo qual a água quente sobe, usei o exemplo do balão de ar quente, ao qual esse sobe pelo fato do ar estar sendo aquecido, ficando menos denso que o ar exterior ao balão.
A pergunta mais interessante que um dos integrantes dos grupos fizeram foi se o corante se misturaria à água se a lamparina estivesse apagada. Então conversamos um pouco sobre e o próprio aluno foi pensando na dispersão do corante e conclui que este não se misturava à água por causa da chama; esta apenas “acelerava” o processo.
Uma aluna mostrou-se tão interessada pelo experimento que me perguntou onde era possível conseguir os utensílios usados na experiência.
Numa visão geral, a atividade experimental interessou aos alunos, alguns casos em particular tiveram a curiosidade de entender melhor o fenômeno e aparentemente a falta do termômetro não interferiu muito na qualidade da experiência. Mas talvez com o devido instrumento, o efeito seria mais concreto a eles.
Sobre os relatórios
Em geral, os grupos tentaram responder até o final do roteiro, mas a maioria deixou de responder as primeiras questões que se referiam ao uso do termômetro e alguns grupos ainda destacaram que os itens (a) e (b) eram parecidos. Os alunos se distribuíram novamente em seis grupos.
Falando primeiramente da parte (1) do relatório, quatro grupos não responderam o item (a). Um dos grupos que respondeu descreveu que observou que o corante se espalhava conforme a água era aquecida e que depois de se movimentar, a água “escapava” pelo orifício. O outro grupo citou que “o ar quente sobe empurrando o ar frio”. Talvez aqui haja apenas um problema de linguagem, pois interpreto que o grupo esteja se referindo à água e que possivelmente eles tenham escrito “ar” por confusão, ou mesmo pelas analogias usadas para tentar explicar a convecção.
Três grupos não responderam o item (b). Outro grupo citou simplesmente que a resposta a este item era idêntica ao item anterior (“Resposta na 1ª questão”). Um grupo comentou que acendendo a lamparina, a água e o corante iriam se misturar e o último grupo colocou que a água seria aquecida.
O item (c) não foi respondido por dois grupos. Os outros quatro grupos responderam que a temperatura iria se elevar, sendo que um comentou que isto ocasionaria o movimento do corante.
O item (d) pedia para que os alunos desenhassem o observado, porém ocorreram dois tipos de resposta: três grupos consideraram o quadro referente ao “Depois” como sendo a situação após a “erupção” da água, desenhando o caso em que a água está saindo pelo orifício ou mesmo o tubo retangular com um volume reduzido de água; já os demais grupos (três) desenharam a situação “durante a circulação do fluido”, representando, inclusive, o sentido de deslocamento do corante pelo suporte de vidro. Talvez esta diferença mostre o que foi mais significativo e/ou aquilo que chamou mais a atenção dos alunos, pois para eles, a situação final é aquela que se deve chegar com o término do experimento.
Partindo para a segunda parte do roteiro, dois grupos responderam que o corante se moveu no sentido oposto ao qual a chama estava. Um grupo especificou que o corante se moveu para a esquerda, entrando num movimento circular. Suponho então que eles estavam se referindo ao movimento no sentido anti-horário. Outro grupo cita que o corante seguiu o mesmo caminho da água fria, se opondo ao movimento da água que estava mais quente. O penúltimo grupo comentou que o corante realizou um movimento circular anti-horário e o último grupo respondeu que o corante se deslocou para a direita, no sentido horário, porém esta resposta não coincide com o desenho realizado no item anterior; entretanto, não podemos fazer nenhuma suposição, pois eu não sei qual era o ponto de vista dos alunos ao realizar o experimento.
No item (b), cinco grupos responderam que o deslocamento do corante era ocasionado por causa do aquecimento da água, sendo que três destes comentaram que isto estava relacionado com o aumento da agitação das moléculas da água. O sexto grupo detalhou desde o acendimento do pavil até a expansão da água, comentando inclusive que o pavil não era “queimado” enquanto existisse álcool no interior da lamparina.
No item (c), quatro grupos responderam que o movimento da corante estava relacionado com o aumento da temperatura. Os outros dois também responderam isto, mas acrescentaram que a consequência disto era a mistura do corante com a água, associando assim mistura de ambos com o fato de aquecer a água. Talvez este devesse ser um ponto a ser discutido novamente com os alunos, para não ficar a falsa impressão de que a mistura só ocorreu por causa do aquecimento.
Por fim, no item (d), quatro grupos disseram que se colocássemos gelo junto ao aparato experimental, o corante realizaria um movimento semelhante ao observado na sala de aula, mas no sentido oposto. Um grupo preencheu o roteiro falando que o corante não se moveria e o último grupo respondeu algo semelhante, mas justificou dizendo que “não há uma alta temperatura e as moléculas ficariam juntas”.
Considerações Finais:
Este experimento foi realizado rapidamente pela sala e julgo que ele era bastante prático e trazia uma discussão interessante acerca de um conceito da física difícil de se tratar por causa da falta de visualização. Foi interessante que os alunos se surpreenderam com o observado na experiência, mas não haviam relacionado o mesmo fenômeno com a água sendo esquentada numa panela antes que eu comentassem com eles. Desta forma, suponho que eles puderam visualizar algo que eles possuem contato diariamente mas nunca pararam para pensar sobre. Realmente o fato de se usar o corante para dar um destaque maior foi uma forma de “tornar visível” aquilo que é corriqueiro a eles.
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