Relatório de Práticas de Ensino - Terceira Atividade – 26/05/2010
Diogo dos Santos
Rafael Hanashiro
Atividade: Fluidos em Expansão
Descrição:
Chegamos à escola e não tivemos problemas em entrar, pois haviam consertado o interfone do portão principal. Fomos direto ao laboratório organizar os materiais utilizados na atividade experimental. Separamos os bulbos com ou sem água, os capilares, os líquidos que seriam utilizados (água e álcool) e deixamos uma panela com água esquentando no ebulidor.
Pegamos emprestados alguns beckers e os enchemos com a água quente. Colocamos água da torneira em vasilhames que estavam no laboratório. Assim que os alunos da primeira turma chegaram, eles foram se distribuindo em grupos e mexendo nos tubos capilares. Aparentemente eles não entenderam o que precisava ser feito. Então tivemos que passar nos grupos para explicar melhor o procedimento da experiência com mais detalhes, encaminhando-os no processo.
Percebemos que boa parte possuía uma dificuldade de interpretação do roteiro.
Após os encaminhamentos, todos os grupos se mostraram empenhados na realização da atividade e depois de visualizar o fenômeno, mostraram grande interesse em discutir e levantar hipóteses sobre o acontecido.
Desta vez sentimos que os alunos estavam mais livres nas discussões e nós apenas interferíamos quando observávamos que os estudantes ficavam perdidos com os conceitos ou com os termos utilizados.
Após eles realizarem a parte do experimento sobre a dilatação do álcool, passamos de grupo em grupo para apresentá-los a expansão do ar. Para isso, utilizamos o bulbo que não continha o álcool e inserimos uma pequena quantidade de água colorida no capilar. Quando aquecíamos o bulbo (ou com a mão ou com a água quente) e o filete de água subia, os alunos demonstravam entusiasmo com o que estavam observando: um pequeno filete de água subindo pelo capilar e, aparentemente, não havia “nada” sob ele. Entretanto, a maior surpresa por parte deles foi quando invertíamos o tubo (colocando-o de “cabeça para baixo”), o filete ficava “parado” e ao molharmos o bulbo com álcool, o filete de água subia em direção ao bulbo.
Inclusive nesta etapa, alguns grupos comentaram que isto era “algo mágico”. Então tentamos fazer com que os grupos utilizassem os conhecimentos obtidos para tentar encontrar uma explicação para tal fenômeno.
Quando a segunda turma entrou, conseguimos encaminhar melhor o andamento da experiência por conta das observações que havíamos feito na turma anterior.
Logo no início da aula, um dos bulbos se quebrou, derramando álcool sobre a mesa. Tirando este fato, a aula prosseguiu semelhante à anterior.
Um dos grupos tentou ampliar o experimento. Os alunos tentaram ligar um tubo no outro, de forma que o líquido de um chegasse ao bulbo que estava vazio (obviamente o bulbo que continha o álcool ficava em baixo) quando o conjunto era aquecido.
Outro grupo tentou aquecer o bulbo com um isqueiro, mas por questão de segurança (com medo de que o bulbo fosse quebrado e machucasse os alunos) não se permitiu que fosse realizado tal teste.
Quando realizamos a oficina desta quarta atividade, notamos que o roteiro não explorava a fundo a atividade experimental, inclusive não fazia referência à segunda parte do experimento e nem tentava relacioná-lo a algo vivenciado e mais próximo do aluno. Então decidimos, com o auxílio do monitor Glauco, adicionar um questionário que visava ampliar a discussão do experimento como um todo e fazer com que os alunos pensem sobre a atividade observada e os conceitos utilizados na construção de um termômetro.
A princípio, percebemos que os alunos tiveram uma interação maior com esta atividade experimental, talvez por estarem se acostumando com este tipo de abordagem. Além disto, eles mostraram um amadurecimento nas discussões dos conceitos e na realização dos procedimentos experimentais.
Impressões Pessoais:
Como cada integrante teve uma impressão diferente quanto à atividade aplicada, achamos necessário dividir esta seção em duas, uma referente a cada estagiário.
Diogo:
Nesta atividade me pareceu que os alunos estavam mais acostumados com a atividade experimental durante as aulas de Física. Eles amadureceram, neste sentido, em relação ao primeiro dia de atividade experimental.
A princípio achei que seria difícil aplicar esta atividade, pois a professora não havia ainda discutido a teoria sobre temperatura, dilatação dos corpos, termômetro. Porém, mais uma vez me surpreendi: eles mostraram bastante interesse em tentar entender o que estava ocorrendo e levantavam hipóteses a fim de tentar encontrar alguma explicação ao fenômeno que estavam observando.
No início da aula da primeira turma, senti que eles estavam um pouco perdidos, pois eles queriam começar a fazer logo o experimento, mas não sabiam por onde começavam. Então, meu parceiro e eu pedimos para que eles lessem primeiramente o roteiro para depois começar a efetuar a experiência. Mesmo assim, alguns grupos ainda não conseguiam realizar o experimento. Desta maneira, começamos a andar entre os grupos e guiando-os.
Ambas as turmas se comportaram muito bem durante a aula e não tivemos problemas em prosseguir com a atividade. Desta vez, eles estavam mais despreocupados em relação à nota atribuída ao experimento, proporcionando a eles maior liberdade para discutir sobre as causas da dilatação do líquido.
A surpresa maior, por parte deles, surgiu na segunda parte do experimento, quando faziam o ar se dilatar e observavam o filete de água subir pelo capilar. Um dos grupos até perguntar se tinha algo a ver com carga elétrica ou se era por causa do magnetismo.
As discussões entre os grupos ocorreram satisfatoriamente bem; apesar deles ainda não terem estudado sobre tal assunto nas aulas, eles mostraram que tinham conhecimento prévio sobre o assunto.
Um grupo tentou passar a coluna de álcool de um tubo ao outro, mostrando assim a autonomia e interesse dos alunos em utilizar o conhecimento adquirido para fazer uma extensão da atividade.
Uma crítica que faço em relação ao roteiro é sobre a observação se a massa do líquido no tubo varia ou não. Ao meu ver, tal constatação não é possível fazer neste tipo de experimento; para responder e justificar tal questão era preciso que os alunos conhecessem algo além deste experimento. De fato, boa parte dos alunos apresentou dificuldades nesta parte do roteiro. Para encaminhá-los nesta parte, tivemos que convencê-los de que a massa não muda com base no princípio de Lavoisier.
As questões adicionais que o Glauco nos ajudou a fazer, auxiliou bastante nas discussões realizadas entre os grupos e possibilitou um melhor aproveitamento do experimento realizado.
Rafael:
Está sendo muito tranqüilo lidar com os alunos. Acho que eles se acostumaram com nossa presença e as atividades, pois, não hesitam em perguntar e realizam as atividades com envolvimento.
Uma coisa que achei interessante foi que os grupos se formam de acordo com as amizades, portanto a quantidade de integrantes por grupo varia, havendo grupos de 2 e até de 8 alunos. Achei que isso seria um fator problema, entretanto foi o contrário, parece que isso permite uma interação melhor com o experimento.
Do primeiro experimento até este último do primeiro semestre, vejo que os alunos mantiveram a dificuldade de interpretar e entender o roteiro. Acho que por dois motivos: tem roteiro que realmente estava um pouco confuso e também os alunos tem preguiça de ler.
Quanto ao conteúdo achei que eles assimilaram a relação entre as grandezas observadas, massa, volume e temperatura. No entanto foi necessário haver uma discussão e “forçar” eles interpretarem a tabela que eles próprios construíram com as observações. Portanto não foi direto a assimilação da relação entre as grandezas.
Foram muito útil as questões adicionadas ao roteiro, pois, permitiu o florescimento de novas discussões, expandindo as abstrações da atividade. Em especial a realização da subida do filete ao colocar o bulbo com ar de ponta cabeça chamou muito a atenção dos alunos. Entretanto, eles não sabiam explicar o efeito, porque realmente não é tão simples a idéia por trás.
Nesta parte acho que consegui realizar uma investigação com os alunos à dar lhe a resposta. Eu perguntava a eles o que sentiam quando o álcool entrava em contato com a mão. A maioria respondia que sentia frio, então a partir daí aos poucos associavam a mesma coisa ao colocar álcool no bulbo de ar.
Infelizmente, não foi possível evidenciar e distinguir a expansão do líquido do gás. Acho que isto foi porque a tabela pedia apenas a realização com o líquido não tendo a oportunidade de comparar fortemente a expansão do ar. Ou seja, o roteiro não focava a assimilação deste assunto.
Alguns alunos queriam ver o filete sair pelo tubo, então, queriam deixar por mais tempo o bulbo na água quente. A interpretação que se pode dar é que eles acham que a altura do filete é proporcional ao tempo que se deixa esquentando, logo por quanto tempo o bulbo ficar na água, o filete irá subir continuamente. Talvez esta idéia seja uma explicação da dificuldade de associar o aparato experimental com o termômetro, pois, tinha que se ter uma idéia de que o líquido está esquentando até se atingir um equilíbrio, sendo isto que acontece com os termômetros. Acho que é importante os alunos evidenciarem tais idéias, pois, é um ferramental para professor, já que permite identificar os erros. E mesmo assim, considero que o experimento foi produtivo e acrescentou em novos conceitos aos alunos.
Comentários sobre o registro dos alunos:
No total, juntando as duas turmas, foram onze grupos.
Apenas dois grupos não preencheram a tabela completa.
Analisando a expansão do líquido (álcool), dez grupos identificaram que o volume do líquido aumentava quando o bulbo era aquecido com a mão e com a água quente, sendo que três caracterizaram que a expansão era mais rápida quando o bulbo era imerso na água quente. Um grupo observou que ao aquecer o bulbo com a mão não havia variação no volume do líquido. A maioria justificou que o volume aumentava com o aumento da temperatura e quando esta diminuía o volume também sofria o mesmo efeito. O grupo que tinha observado que o volume não aumentava com o aquecimento proveniente da mão, comentou que a temperatura do sistema aumentava, mas não “o suficiente para aumentar o volume”. Podemos supor que o grupo havia percebido a relação Temperatura X Volume, mas como não observou isto, tentou encontrar uma justificativa, mostrando assim, a capacidade deles de elaborarem uma hipótese com base nos conceitos já adquiridos.
Em relação à massa do líquido, nove grupos informaram que a massa do líquido se mantém a mesma quando há variação da temperatura. Um grupo, aparentemente, relaciona a variação da massa com a variação do volume, isto é, o aumento do volume implica no aumento da massa. Outro grupo destacou que ao aumentar o volume, a massa também aumenta, mas quando ocorre a diminuição do volume, a massa se mantém constante. Porém, esta última observação não possui justificativa, mas o aumenta da massa está relacionado com o fato do “líquido que está preso se solta”.
Todos os grupos identificaram que a temperatura do líquido aumenta quando aquecido com a mão e com a água quente e diminui quando colocado na água fria.
Com base nos questionários, oito grupos responderam à primeira questão coerentemente com a tabela, inclusive o grupo que haviam comentado que a massa e o volume dependiam da temperatura. Um grupo, não comentou sobre a relação entre temperatura, volume e temperatura. Outros dois responderam que todas as grandezas aumentavam. Quando perguntados se existiam outras grandezas envolvidas na experiência, apenas dois grupos fizeram citações: um escreveu que existia a energia calorífera e outro grupo comentou sobre a existência do calor e do frio, explicitando que estes são conceitos distintos (“o calor aumenta e o frio diminui”).
Na segunda questão, sete grupos citaram que o líquido “sobe” pelo capilar por causa do aumento da temperatura. Os outros quatro grupos tentaram fornecer uma explicação mais detalhada, inserindo os conceitos de transferência de energia, agitação das moléculas do líquido, associação com a pressão a qual o líquido está submetido.
A terceira questão era sobre a construção de um termômetro. Dois grupos não responderam a terceira questão. Cinco grupos citaram apenas os materiais utilizados, que necessariamente eram os mesmo da atividade experimental que haviam realizado. Isto mostra que eles perceberam que a atividade explorava o funcionamento de um termômetro. Aliás, dois grupos citaram que poderiam usar, ao invés de álcool, o mercúrio, explicitando assim algo que está mais próximo da realidade dos estudantes, visto que a maioria dos termômetros comerciais utiliza-se de mercúrio. Quatro grupos foram mais além e explicaram detalhadamente o processo que está por trás do funcionamento do termômetro, associando a altura que o líquido se encontra com a temperatura e a variação desta marcação com a variação da temperatura.
A quarta questão tentava explorar a segunda parte do experimento. Dois grupos não a responderam. Grande parte dos grupos associou a subida da água pelo filete devido ao álcool que retira calor. Uns não especificaram de onde que este calor é retirado, outros citaram o bulbo e o ar. Destes, alguns grupos ao justificar a retirada do calor devido ao álcool, utilizaram a informação da tabela, com a diminuição da temperatura o volume também diminui. Um grupo justificou que como a água está mais quente que o álcool, este “suga” a energia da água, de modo que o ar é puxado para cima. Não conseguimos compreender o que o grupo tentou explicar. Outro grupo explicou que com a dilatação do ar o filete sobe o tubo capilar. Esta explicação não faz muito sentido com a questão quatro, entretanto, está muito coerente com a situação do bulbo de ar voltado para baixo com o filete de água. Pode ser que o grupo explicou esta outra situação.
Segue abaixo as questões que adicionamos ao roteiro:
Com base no experimento realizado e no fenômeno observado, tente responder às questões abaixo:
1. Das grandezas analisadas no experimento (temperatura, volume e massa), qual a relação entre elas? Existe alguma outra grandeza envolvida? Justifique.
2. No caso em que o bulbo está cheio de álcool, por que o líquido sobe pelo capilar?
3. Como é possível, com base na atividade realizada, construir um termômetro?
4. No caso em que o bulbo não está preenchido com álcool, por que ao virarmos o capilar de “ponta cabeça” e molharmos o bulbo com álcool, o “filete” de água começa a subir pelo capilar?
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