AULA XI - 11 de outubro
Institucionalização da Arte Moderna; Noções de centro e periferia e avaliação crítica do conceito de influência artística.
Tomamos o texto “Além do exotismo: Picasso e Warburg”, do
historiador Carlo Ginzburg, para problematizarmos questões relativas à
historiografia oficial da Arte Moderna, tais como:
a) Noções de
“classicismo” e “primitivismo” - e como, nas teses de Ginzburg, uma deriva da outra;
b) Warburg e a
construção de uma narrativa universal da arte, comparada à análise de “As moças de Avignon”,
de Pablo Picasso, para discussão sobre "centro" e "periferia";
O que é importante evidenciar nesses casos, seja
na postura crítica de Warburg, seja na atividade artística de Picasso, é o
olhar para a cultura estrangeira e apropriar-se dela para construção do seu
trabalho dentro de um contexto determinado europeu no início do século XX. Este
processo, explica Ginzburg, é uma forma de “exotismo” e que é, indiretamente,
uma forma de preconceito, tanto na eleição de obras tomadas como modelos de ruptura, em detrimento de outras, quanto na maneira de olhar o "outro" como um estranho e
adequá-lo aos seus interesses, críticos ou artísticos. Nesse sentido, podemos
compreender a noção de “centro” - se tomarmos o cânone eleito pela narrativa oficial da história da arte moderna, compreendida como universal - e de “periferia” - a produção artística que fica à margem desta narrativa oficial de
rupturas e evoluções e que se explica por uma narrativa local, com suas especificidades e influências divergentes.
Um exemplo é como a historiografia tradicional aborda a arte não-ocidental. Embora tenha influenciado esteticamente o
modernismo europeu, temática e esteticamente, esta produção "externa" é descontextualizada de seu ambiente originário e adequada às premissas artístico-eurocêntricas.
Assim sendo, a noção de “primitivismo”, dentro da narrativa oficial, compreendida como formas que rompem com os valores clássicos, apropriando-se do que é estranho, externo e exótico, contudo, como aponta Ginzburg, paradoxalmente, mantém uma relação com
o classicismo em seus pressupostos artísticos: tanto ao debater questões estéticas (de
criação e de composição), quanto ao revisitar e atualizar problemas sobre o olhar estrangeiro.
Leituras sugeridas
GINZBURG, Carlo. "Além do exotismo: Picasso e Warburg". In ___. Relações de Força: História, Retórica, Prova. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
ARGAN, Giulio Carlo. Item "Pablo Picasso. Os Saltimbancos. Les demoiselles d'Avignon" (Cap. 6) In ___. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, pp. 422-426.