AULA XIII - 25 de outubro - Visita à exposição "Modernismos no Brasil" (MAC-USP Ibirapuera)
Em nossa visita à exposição "Modernismos no Brasil", analisamos as seguintes obras:
- Karl Schmidt-Rottluff, "Autorretrato", 1916-19, xilogravura, no qual focamos a questão do Primitivismo e comparamos a
- Tarsila do Amaral, "A Negra", 1923, óleo/tela - também aqui discutimos a primeira exposição desta obra, em Paris (1926) e em que medida ela respondia, de um lado, às questões colocadas em pauta no contexto francês, e de outro, procurava criar uma linguagem plástica "autenticamente brasileira"
- Giorgio de Chirico, "O Enigma de um Dia", 1914, óleo/tela e sua relação com a noção de "Pintura Metafísica", que se desdobra em dois momentos: 1- crítica de Guillaume Apollinaire (crítico francês ligado ao ciclo de cubistas na década de 1910, que vai teorizar sobre a necessidade do "retorno à ordem", a partir dessas proposições de De Chirico) e sua série de "Praças da Itália" como precursora da pintura surrealista (André Breton); 2- a chamada Scuola Metafisica, fundada por Carlo Carrà e Alberto Savinio (irmão de De Chirico), e a retomada do estudo da pintura renascentista italiana, sobretudo o círculo de Ferrara. Daí que tratamos dessa obra de De Chirico em relação a
- Achille Funi, "A Advinha", 1924, óleo/madeira, e a formulação de sua pintura de raiz clássica, também debruçando-se sobre os pintores ferrareses renascentistas, que dá naquilo que Margherita Sarfatti chama de "Realismo Mágico"; e
- Mario Sironi, "Os Pescadores", 1924, óleo/tela, e o movimento Novecento Italiano, fundado por Sarfatti, no qual o resgate da tradição clássica (renascentista) e mediterrânea (italiana) está colocado em pauta.
OBS> em relação a esses três artistas, discutimos ainda como um vocabulário plástico metafísico (de raiz de chirichiana) circula no meio artístico italiano; também tratamos em que medida (e apesar do discurso retórico em torno dela) essa pintura é italiana.
- Wassily Kandinsky, "Composição Clara", 1942, óleo/tela: terminamos com essa obra abstrata de Kandinsky e tratamos das possíveis referências para o artista, dado o contexto do desenvolvimento da abstração na França (grupo Abstraction-Création vs. debate sobre uma abstração que tem por base o estudo da cor - Sonia Delaunay, as experiências de Alexander Calder no ambiente francês, e a a própria experiência de Wassily Kandinsky como professor da Bauhaus)
Conclusão:
No início da aula, ao abordarmos as obras de Schmidt-Rottluf e Tarsila e em que medida elas tratam da questão do Primitivismo, falamos das referências que estão dadas para todos os artistas analisados e como elas são empregadas. Em última instância, falamos sempre desse vocabulário plástico "híbrido" - que faz referência a várias experiências plásticas modernistas. Concluímos que este procedimento está na base da prática modernista e que esta é a mesma, seja no centro ou nas chamadas periferias.