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Definir o que era o motete nos séculos XIII e XIV



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O motete tornou-se uma forma de composição que originou-se das clausulas de descante, as quais eram trechos que o cantochão do organum era altamente melismático.
Ma maior parte dos motetes apresenta um texto diferente para casa voz, e sua melodia serve tanto para textos sagrados como profanos.
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Na primeira metade do século XIII, motetes a três vozes foram compostos para coro a capela, e cantados em latim nas missas e datas festivas religiosas. Textos profanos em línguas nacionais foram superpostos aos religiosos e ao contraste de significado somou-se o efeito contrapontístico. Uma variante, o motete para voz solo, surgiu da substituição das vozes graves por instrumentos.

No século XIV, motetes seculares eram usados em ocasiões cerimoniais e os textos se referiam a fatos históricos. Grande parte da música da época que se conservou foi composta por Guillaume de Machaut, em cuja obra predomina o tema amoroso.
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Forma de composição musical dos séculos XII-XVII. Canto polifônico religioso. Trecho de música religiosa com letra.
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O termo motete, etimologicamente, é derivado de mot, cujo significado é palavra em francês. Segundo Grout e Palisca, iniciou-se seu uso em textos franceses que se acrescentavam ao duplum de uma cláusula. Isto foi tão usual, que a forma latina motetus passou a ser usada para designar a segunda voz do motete (duplum).
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       Um dos gêneros musicais polifônicos da Idade Média (século XIII). A marca registrada era a politextualidade, muitas vezes em idiomas diferentes. Surgiu na Escola de Notre Dame e consistia no acréscimo de uma terceira voz ao organum. As duas vozes superiores passaram a ter letras de temas seculares, em francês, simultaneamente ao original (tenor) em latim. O Motete perdurou até o Romantismo, porém seu significado como gênero musical se modificou ao longo do tempo. 

 

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Forma de música polifônica que foi originada no século XIII a partir da prática de Pérotin e seus contemporâneos da escola de Notre Dame, e que foi sofrendo modificações ao longo do tempo,até o século XVIII.

Os compositores dessa escola desenvolveram a forma motete a partir da criação de inúmeras cláusulas de descante que substituíam as de Léonin e outros compositores antigos nos organa.As vozes mais agudas acrescentadas começaram a receber textos novos e posteriormente se separaram-se dos organa de que faziam parte,tornando-se uma forma composicional independente.Essas cláusulas de substiuição independentes passaram a ser chamadas de motetes.

O termo motetes (do francês mot que significa “palavra”) originalmente designava os textos franceses acrescentados ao duplum de uma cláusula, e o termo motete acabou sendo utilizado para desiginar a composição toda.O duplum passou a ser chamado de motetus.

A maioria dos motetes tem um texto para cada voz,e é compostos em camadas,por vezes resultantes do trabalho de diferentes compositores.As melodias eram de domínio público,e a mesma podia ser utilizada para textos sagrados e profanos.

Durante o século XIII a forma motete sofreu inúmeras alterações. Algumas delas são que, a partir dos meados do século XIII ,os compositores começaram extrair o texto do tenor de composições profanas e de livros que não os de Notre Dame .No final do século,começou a haver uma maior flexibilidade rítmica e uma menor rigidez em relação ao uso dos modos rítmicos,e a terminação das frases começou a ser em pontos diferentes para as diversas vozes.

O motete passou por uma secularização,e foram escritos muitos motetos para serem cantados fora da igreja.As vozes superiores geralmente tinham textos profanos em língua vernácula.Nos motetes franceses,a o tenor ainda utilizava uma melodia do cantochão,mas provavelmente era tocado pois ela não desempenhava nenhuma função religiosa.

Pode-se dizer que o auge da Ars Antiqua foi o moteto politextual.Foi nele em que se deu uma miscelânea de textos em diferentes línguas e de diferentes gêneros (sacro e profano).Houve também a adaptação de textos novos a melodias antigas, e vice-versa, em vários motetes.Essa forma sofreu um reflexo cultural de seu tempo: o enfraquecimento do universo medieval fechado e a mistura do sacro e profano dentro de uma rígida estrutura teológica.

Já na Ars Nova,no século XIV, o moteto se secularizou ainda mais.Phillipe de Vitry foi um dos propagadores da isorritmia, o que levou a criação do moteto isorrítmico (mesmo ritmo) : motetos onde o tenor é construído com base no uso das repetições da talea (estrutura do ritmo) e da color (conjunto de intervalos melódicos),gerando padrões rítmicos.

A isorritmia foi fundamental para dar uma unidade temática as composições,e não era uma repetição tão facilmente perceptível.

Machaut escreveu alguns motetes isorrítmicos com textos franceses,onde além do tenor,as vozes mais agudas eram escritas em isorritmo,ocasionalmente.

Os motetes isorrítmicos tornaram-se cada vez mais comuns no final do século XIV,e foram compostos até o início do século XV.

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Nesta época, o motete era uma forma de composição musical geralmente a três vozes, ou seja, um tenor, um motetus e um triplum, sendo que os textos eram diferentes para cada voz.
O tenor era realizado segunda a isorritmia, que consiste em diferentes combinações entre a melodia (color) e um padrão ritmico (talea) e suas repetições.
Outras caracteristicas destes motetes são a introdução da divisão binária da breve (assim como em outras formas musicais); textos de denúncia do clero e acontecimentos políticos (mesmo o motete tendo nascido como forma sacra na Ars Antiqua, no fim do século XIII já estava muito secularizado); e era também forma típica de composição para solenidades de todos os tipos.
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 Uma das formas mais importantes de música polifônica de 1220 cerca de 1750. Nenhum conjunto único de características serve para defini-la em geral, exceto contextos, nomeadamente históricos ou regionais. Originou-se como um tropo litúrgico, mas logo se tornou a forma preeminente de música secular na arte durante a idade média. O moteto medieval foi uma composição polifônica, em que a voz fundamental (tenor) foi geralmente organizada em um padrão de configurações rítmicas reiterados, enquanto a voz superior ou vozes (até três), quase sempre com diferentes textos latino ou francês, geralmente movidos a um ritmo mais rápido.

Fonte- Grove Dictionary of Music and Musicians-third edition
 
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Estilo que se utilizava da politextualidade, uma textura polifonica através da palavra, onde as vozes cantavam diferentes textos e até mesmo em diferentes idiomas, buscava-se uma experiência polifônica que ia além das melodias e dos ritmos, trazendo sensações e sons diferentes.
Pratt, W. S. o define como sendo uma mistura de estilos e palavras.
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Música coral polifônica baseada inicialmente nos textos latinos para uso no serviço religioso da igreja católica romana. A forma existe desde o começo do século XIII; daí em diante, tem refletido os estilos dos sucessivos períodos da história da música.  Desenvolveu-se a partir da clausula quando o duplum recebeu um texto (mots). O tenor era uma frase do canto gregoriano. Mais tarde, mas ainda no mesmo século, uma terceira parte foi adicionada com texto diferente, frequentemente secular e em francês.

Sobreviveu quase 500 anos passando por Vitry, Machaut, Josquin des Près, Gabrielli, Scarlatti, Schütz e Lully. Ressurgiu mais tarde em obras de compositores como Mozart, Brahms, Liszt e Bruckner


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